sábado, 22 de novembro de 2008

Sangue de Barata (Secos & Molhados)

Sentado no sofá
Comendo cornflake
Assistindo tv
Por puro deleite
Vem a noticia
De que policia
Prendera um ladrão
-desses com fome
Que dorme no chão
Ou em pé na prisão
Há quem diga até
Que é por falta de fé
Que rouba e que mata
Nascido da lata do lixo
Considerado um bicho


Assim com ele
Comendo cornflake
Sentado assistindo
Vivendo e morrendo
Por puro deleite
Vem a certeza
Que a nobreza
Perdera a cabeça
-dessas barrocas
Que de tão ôcas
Se salvam poucas
Há quem diga até
Que é por meio da fé
Que rouba e contrata
Nascido aristocrata
Com sangue de barata

Rondó do Capitão (Secos & Molhados)

bão balalão
senhor capitão
tirai este peso
do meu coração
não é de tristeza
não é de aflição
é so esperança
senhor capitão
a leve esperança
a aerea esperança...
aerea pois não!
--peso mais pesado
não existe não
ah! livrai-me dele
senhor capitão

Metereologia

A lua prenuncia que a noite vai ser boa
Branca com tons amarelados
Indica que os apaixonados irão se beijar
E as dores de cotovelo acabarão num bar

As estrelas circula no céu
A cadente passa e esbanja seu véu
Avisando que algo vai acontecer
De repente... Puft!!!

O mar se descortina maestralmente sobre a areia
Uma onda de sonhos vai chegar
Conflitos também irão de surgir


Assustado, olho as nuvens
Elas confirmam tudo
Desenhando em tons cinza-claros
Os apaixonados, eu e você...
A dor de cotovelo e os conflitos...

Caio na areia:
Amanhã será um novo dia!

(Rodrigo Vaz)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Foraclusão

Hoje eu não sinto nada
O dia está verde-claro
As nuvens estão brancas
Como sempre
É tudo tão igual

A menina que passa
A dona do boteco que grita
O bêbado que me pára querendo conversar

Hoje eu não sinto nada
Nem tuas mãos, nem teus olhos
As borboletas voam
O galo canta
O cachorro late
É tudo tão igual

Hoje eu não sinto nada
A vida em tons pastéis
As folhas amareladas
O vômito, e a barriga vazia


Hoje, só por hoje
Eu te prometo não sentir nada

(Rodrigo Vaz)

domingo, 2 de novembro de 2008

Êeee Maíraaa, Êeee Maíra

Era bonita e tinha olhos de jabuticaba

Olhava para mim com um olhar ingênuo
Pedia abrigo, pedia carinho
Era um gatinho abandonado

Era bonita e tinha olhos de jabuticaba

Olhava para mim furiosa
Seu sangue fervia, seu olhar fustigava
Era uma abelha assanhada

Era bonita e tinha olhos de jabuticaba

Nem olhava para mim, só eu a olhava
Tinha pernas bonitas e uma voz sensual
Era a menina que amava

Era bonita e tinha olhos de jabuticaba

(Rodrigo Vaz)

Anunciação

É no batuque dos tambores
É no canto da cotovia
Que algo se anuncia

Liberta-me da brancura
Preenche os espaços vazios
Cubra com carinho este corpo nu com frio

Olha aquela árvore
Olha aquele sol
Vê essa lua

Brancos, índios, negros
Miscigenados, mamelucados
Homens e mulheres, seres humanos


Ansiosos, os humanos se ajuntam
Estão atentos, expectativos
Um mousse de carne e osso

Agora tá tão calor!
Me esquenta um pouco
Um carinho é tão bão!


Tudo está pronto!
Os seres humanos se ajuntam
Atentos, expectativos
Ansiosos, são carne e osso

Apocalipse

Fotografias do dia-a-dia
Caras & Caretas
Perco-me pensando em "nada
Enquanto os outros assistem teu espetáculo

Cambalhotas na rua
Me dá o último beijo...
E o último abraço...
São tantos mártires
Que eu nem sei quem sou
O último gole de café
A última dose de conhaque
O último sorriso genial

(Rodrigo Vaz)