segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Frívolo

Hoje eu acordei com uns calafrios
Sentia uma vontade imensa de degolá-la
Sufocá-la com meu travesseiro
Suzane-camente

Hoje eu acordei com uns calafrios
Ansiava, incontrolável, jogá-la do terceiro andar
Para assim vê-la cair
Nardoni-camente

Hoje eu acordei com uns calafrios
Deseja tripudiar diante de sua condição infame
Cuspir na tua cara, queimá-la dormindo numa praça
Capitalismamente

Até que uma voz grita:
- Cale-se, frio!

(ROdriGO vaZ)

Tato

O toque
O simples, leve e solto toque
Serpential

O toque das mãos
O toque dos lábios
Na quente boca suave de paixão
Na fruta suculenta
Serpential

Acaricie, apalpe, sinta
Toque devagar
Não me toque!

TOC, TOC, TOC


(rODriGO VAz)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Assim falou...

Se A=B e B=C, logo A=C. É o silogismo que me persegue hoje. "Hoje eu não faço chuva, nem faço sol" - já me dizia um certo espelho abstrato. Estou meio úmido e meio árido, a Geografia explica ou será Freud? O clima flutua entre 29 e 33 graus, logo a minha condição está explicada. Se clima confuso é igual a cérebro confuso e cérebro confuso é igual a subjetividade anárquica à flor da pele, logo clima confuso provoca subjetividade anárquica à flor da pele. Está explicado! A Natureza, as mudanças climáticas são culpadas pelas pessoas nas ruas, belas, loucas, esvoaçadas, expirando ânsia (de vômito?) Hoje eu nem brilho nem estou apagado, os tons variam entre o cinza e o cinza-claro, branncos não são, tampouco pretos. Olho pela janela e me vem à mente o terceiro excluído. Se eu sou eu mesmo, logo eu não sou uma nuvem...
Se A=A, logo não existe A diferente de A. É o terceiro excluído que me persegue hoje...


(Rodrigo Vaz)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Solução

Inércia
Um pedaço de concreto
Uma faca amolada

Tristeza
Um sorriso de criança
Um beijo, um abraço

Rancor
O tilintar do arco-íris
O sol, o porvir

Desespero
A flor, o beija-flor
O urso e o bicho-preguiça

Pressa
A lagarta, a borboleta
O tempo e o vento

Angústia
Beijos, amigos
Mente X coração

Solidão
Esperança, tranco...
O portão da ventania

Choro
Mar, atrito
Um vão no infinito

(Rodrigo Vaz)

Nos mínimos detalhes

Pensamentos desvairados
Imagens em um quarto escuro
Uma borboleta que voa
Uma criança que passa
E sorri

Multidões silenciosas
Madrepérolas e jasmins
Um carro "risca" o asfalto
Jovens bebem vinho
E cantam

Fim de noite
Até as corujas dormem
Restos mortais de um dia sem fim
Um mendigo estende a mão
E pede esmola


(Rodrigo Vaz)

Vida real

Sei que envelheço todo dia
TODO DIA TODO DIA
Pássaros, bétulas, sons
Uma criança...
Uma mulher...
Uma senhora!

Uma senhora que chega e diz:
Entra, experiencia
A porta está aberta
E Branca de Neve já acordou
O tempo passa correndo
É preciso avisar a Cinderela
Que o seu tempo acabou

Fantasias..
Meus fantasmas
Fantasmagorias
Alegorias... meu carnaval...
Um pedaço de romã

Vem, antes que a bomba estoure
Antes que o rio transborde
Antes que o sol se ponha

Onde moro?
As pessoas vem e ficam
Meus fantasmas
A porta continua aberta
E é preciso avisar a Cinderela

(Rodrigo Vaz)

Conversas e piruetas

Bom dia, estranho!
Como vai sua vida íngreme?
Algum vendaval veio açoitar essa semana?
Nenhum vulcão entrou em erupção em teu cérebro?

Boa tarde, ilógica!
Alguma verdade foi dita hoje?
Algum soluço encantador veio ao teu encontro?

Boa noite, loucura!
Alguma estrela veio cantar-te melodias de Beethoven?
Algum surdo evocou a lua e esperou borboletas em silêncio?
Nenhum grito de horror veio regozijar sua alma silente?

Bom dia, estranho!
Como vai sua vida íngreme?

"Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que nunca mostra a ninguém."
Mark Twain

(Rodrigo Vaz)