sábado, 14 de março de 2009

Senhor Capitão

Lá vem ele com os olhos de quem procura algo
Outros olhos vermelhos apreensivos

As cigarras param o canto
E um dos olhos resolve cantar
Seu canto é envolvente e cativante

E lá vai o senhor capitão com os olhos de quem não encontrou nada

(Rodrigo Vaz)

A Lua está querendo transar comigo

Chegou toda sedutora
Como se fosse a Vênus renascida
A Eva nua com a maçã na mão

E eu como Adão entregue ao seu desejo
Como Eros entregue ao seu delírio
Me joguei de boca na sua sedução

Jogou o véu vermelho
E lançou sua ostra diante de mim
- Goza, desgraçada!


(Rodrigo Vaz)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Meu epírito indagador anda dizendo que a Terra é plana e redonda

Acordei com vontade de escrever algo não sei bem o quê, só sei que deu vontade. Ando pensando muito na complexidade das interações humanas e o modo como percebemos o outro. Essa competitividade que nega a figura do outro e coloca o ser humano como produto da separação sujeito-objeto. Aqueles que não possuem o conhecimento na ordem que acreditamos ser a correta são os leigos, ou melhor, os "alienus" e os que tem podem determinar quem é o leigo e quem não é, levando ao individualismo e ignorância e não à interdependência espontânea.
Frases feitas me invadem. Ajudar não é dá aos outros tudo que possui. Opressão leva ao aparecimento dos "outros" esquisitos. Quanto mais certeza você tem, menos você vê. Todo esse pensamento me coloca na posição de desviante, do não-homem normal, pensante e sociável, como são os poetas, as mulheres, as crianças, os loucos e os selvagens, que agem pelo lúdico, pela intuição, pelo instinto, pelo não-linear.

Produz-ação

Acabaram com a escrita
Não se engendra mais linguagem
Não se produzem mais lápis

As palavras não são mais coisas
São produtos reverberados em tela
"Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro".

(Rodrigo Vaz)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Recato?

Então, Madame Beauvoir gritou:
- Libertino! Libertino!
E o Lord Sade delicadamente respondeu:
- Sim, sou mesmo! E dai?

(Rodrigo Vaz)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ilegal

Na coxia, o ar está agradável, escuto sons, uma brisa leve que nem seda passa por mim, incendeia meus olhos e dilata minha pupila.
Puxo, sugo com calma a minúscula poeira cósmica que permeia o mastro colossal dessa tranqüilidade, depois solto e o restinho da poeira se dissolve no ar e me coloca com que de forma mágica em contato direto com o mundo, em si, como se eu fosse ele próprio e não parte dele.
Umas gotas de sorriso escorrem por ai. Tudo é tão lindo! Os pequenos abcessos que sobram são guardados para uma próxima viagem. Que venha logo!

(RoDriGO vaZ)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

E quem foi que disse mesmo?

Falaram que a moça da esquina trepou com o cara da padaria
Falaram que o cara da padaria é um espião russo querendo descobrir o meu segredo
Afirmaram que eu guardo um segredo.

Falaram que a senhora gorducha do quinto andar era traficante e morreu de overdose
Falaram que o neto dela foi para um abrigo de menores
Afirmaram que tudo poderia ter sido pior.

Falaram que o Complexo de Édipo do tal Fulano não foi superado
Falaram que a função paterna não foi simbolizada
Afirmaram que ele é sempre gozado.


(RoDRigo VaZ)