quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Tijolo por tijolo num desenho sólido


Concretamente eu te jogo contra a parede

E te deito na relva queimada

Enquanto fumaças cobrem o céu

Tudo é névoa


Concretamente eu rabisco toda a plataforma do estádio

Com cores vivas

Sob pinturas surrealistas

Dando um cáráter pragmático



Concretamente eu lambisco uma maçã

Procurando alternar a pureza e o pecado

O dever e o direito

A vida e o existir


Concretamente eu justaponho devires

E subjetivo o mundo

Depois escapo...



(rodrigo vaz)


domingo, 6 de setembro de 2009

Volúpia



Era virtuosa


Diferente das outras


Tinha a pele rubra


E o sorriso de Monalisa


Pés delicados de Cinderela


Onde caberia um sapatinho de cristal





Era baixa


Meio gordinha


Olhos castanhos e um olhar genial


Inteligente, mesclava a fluidez de uma medusa


Com a consistência de uma lagosta


Axiomática


(rodrigo vaz)

sábado, 5 de setembro de 2009

Epifânia

Quando a vi uma aréola rosada iluminou o espaço
E o tempo se descortinou no horizonte azulado
A vida ganhara luminosidade cristalina

Cai de joelhos sob teus pés
E agradeci ao deus Eros por ter me enviado algo tão belo
Vênus, Brigite Bardot, Maria Fernanda Cândido?
Não!
Era Epifânia

Sentado em teu colo, toquei delicadamente o seu rosto
E declamei Álvares de Azevedo

(rodrigo vaz)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Palavras certas

São elas que me faltam
...

...



...

Conatus

Queria escrever sobre o amor
Sobre esse sentimento que faz tanto "sentido"

Queria dissertar sobre as lágrimas caídas
Sobre os berros e os grunhidos
Sobre o que falam nas alcovas
Sobre o espelho

Queria poder falar sobre a metafísica do encontro
Sobre a imanência do sonho
Sobre o orvalho e a luz
Sobre o desenho que fiz nas nuvens

(Rodrigo Vaz)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Quarteto a contrapelo

Viviam de pequenos furtos
Furtavam corações, agarravam-se ao que mais gostavam
Quando iam embora sempre deixavam pedaços seus no chão
Como se fossem trilhas para quem os desejassem seguir

Pedro, Luis, Bruno e Mônica
Saíam por ai sem eira nem beira
Apenas mochila e um livro de Che
Tecendo e narrando

Pedro contava estórias
Que mais pareciam História
Desejava o calor
Mas vivia no frio

Luis desenhava
A arquitetura de sua imaginação era impressionante
Surrealismo, cubismo, dadaísmo
Arte, Semanas de Artes Pós-Modernas

Bruno cantava
Sua voz era seu arco e sua flecha
Atingia legiões
Ecoava nos saguões

Mônica dançava balé
A única portadora do cromossomo XX
Iluminava o grupo
Com aquilo que só a bailarina tem


(rodrigo vaz)

Dulcinéia

Sob o deserto cavalgo junto a meu camelo
Sancho a tiracolo me evita a misantropia
Somente um delírio persecutório
Tua imagem

Ao longe reparo em uma rosa
Como pode uma rosa sobreviver no deserto?
Era branca com sardas vermelhas
Estava direcionada ao Sol
Lancei-a para o alto
Segurei-a com meu escudo

Pronto, Sancho! Já encontrei o que buscava!

(rodrigo vaz)