Acordou. Levantou. Foi até o computador. Estava com vírus. Desligou. Foi até o banheiro. Defecou. A descarga estava quebrada. Vestiu aquela calça surrada, aquela meia furada no dedão. Não esqueceu o boné para trás. Abriu a geladeira. Não havia água gelada. Na mesa da cozinha: uma maçã. Na pia: uma faca.
Em casa, varro a sujeira da cozinha No banheiro, resolvo com as mãos o que a cabeça não destina Na rua, sigo rumos e tomo vinho Na floresta sou bicho-grilo, na cidade: um brigadeiro
Tiro os sapatos E jogo tudo pro alto Sinto o chão... Aprendo a andar descalço em um mundo de asfalto
És como um rio que deságua sob os meus olhos. Aceito o fluxo que percorre o teu corpo. E me entrego as passagens e as nuances do imprevisível. Danço Beatles na vitrola. E depois choro com o jazz. Acompanho as intensidades que permeiam teu território. De cabo a rabo. Sinto o cheiro da tua pele. E a fumaça de maconha me entorpece. Me envolve e me faz gozar com você