domingo, 2 de maio de 2010

Dia em dó menor


Caminhava lânguido pela rua
Não havia nenhum barulho
Nem cotovias a cantar
Nenhum tormento dava sabor ao espírito

Até que começo a ouvir uma melodia
Era simples não havia notas complexas
Qualquer violão iniciante saberia improvisar esse som
Mas nenhuma garganta até o momento se atreveu a copiá-lo

Sutil, foi ganhando corpo
Aos poucos os graves e as afinações estavam num mesmo plano de consistência
As folhas já dançavam ao som daquela brisa
Era a melodia do vento

Num instante, tudo mudou
A melodia entrou num clima de rock’n roll
As nuvens pareciam se conectar em uma Woodstock
As gotas da chuva caiam em meu rosto

No fim do dia, ao fundo
Como se me chamasse em segredo
O anúncio do outono
Trazia uma canção de jazz

(Rodrigo Vaz)

sábado, 24 de abril de 2010

Xuxu é uma libélula alegre

A maioria incrementa a salada, mas sempre sem graça
Esse é diferente!
Quase todos relaxam a pressão arterial
Esse acelera meu coração sempre que passa

Muitos são sem sal
Esse sempre se torna um tempero especial
Em qualquer lugar

Esteticamente agradável
Não exagera nos contornos
Talvez nos modos?
Mas isso é bobagem!
Quem nunca trocou o açúcar pelo sal ou vice-versa?

Na medida
Ferve os olhos dos requintados observadores
Uns são chefes de cozinhas
Mas outros são esquizobiólogos a definir:

- Xuxu é uma libélula alegre!

(rodrigo vaz)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ensaio sobre a (in) consciência

Saiu pela porta da frente
Diziam que não tinha pernas suficientes
Duas já não estavam de bom tamanho?

Correu para o jardim
E cercado pelas violetas, colheu uma
Deitou na grama e fechou os olhos

Eram 5 horas da manhã
Nunca havia acordado tão cedo
Mas gostou, batia uma "brisa legal"

Na noite anterior havia tido vários sonhos
Como de costume não lembrava de quase nada
Apenas sentia que, quando sonhava, algo lhe queimava

Abriu os olhos
As nuvens acompanharam o mesmo ritmo e se afastaram
O sol então surgiu: estava forte

Sua visão ficou encandeada
Então um impulso proporcionou que levantasse
Entendeu que agora era o momento

(rodrigo vaz)

domingo, 11 de abril de 2010

Foto-síntese

Com o olho vibrátil
Registro os pormenores
Produzindo as marcas que atravessaram esse território

A seiva vai passar
Nutrindo, multiplicando-se
Espalhando-se por todo esse rizoma

Com o olho vibrátil
Fotografo os acontecimentos
Cartografando um mapa por cima do decalque da vida

Depois me desterritorializo
E traço outro plano de consistência
É a hora da metamorfose

Este é o momento da seiva me tranversalizar
Respiro fundo
E me entrego de corpo e língua

(rodrigo vaz)

sábado, 20 de março de 2010

Momento sensível

Um sopro de vento
A água da praia na beira-mar
A chuva que cai na varanda
Tudo parece soluçar

Um passarinho diz: "Bom dia!"
E já não basta...
Hoje é mais um ano
E já não basta...

Bem me quer, mal me quer
Que brincadeira inútil!
O melhor a fazer é...
Esfregar essa flor na minha pele

(rodrigo vaz)

terça-feira, 2 de março de 2010

Pão, pão, beijo, beijo

Saíste sem sequer dizer: Um dia eu volto!
Bateu a porta e deixou uma carta na frente do pc
Haviam marcas de batom

Fechei os olhos: Só podia ser um pesadelo!
Nem o café estava na mesa
Fui à cozinha, imaginei-a como no dia anterior
Estava com a faca e o queijo na mão

(rodrigo vaz)

Crônica da amizade

Um amigo mistura a irreverência da descoberta
Com a timidez do já conhecido
Apóia a mão no ombro
E a retira quando o umbral já não suporta o peso da vida
É ai que rola o abraço


(rodrigo vaz)