sábado, 18 de setembro de 2010

Aos que me visitam

Peço que sempre passem por aqui
Abram a janela
Lhes dou a permissão

Sentem sobre os acentos
Bebam dos sentimentos postos na mesa
Arrumem uma toalha, se quiserem
E se envolvam sobre ela

Depois disso
Tomem umas xícaras de café
Ou chá de cogumelos, se preferirem

(rodrigo vaz)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Doce mente porno gráfico

Desejo uma contemplação púbica
E, claro, meter o dedo quando possível
E pôr todos os pingos nos "i"s

Sinto-me como Dom Quixote ao delirar pela sua Dulcinéia
Sigo a procissão que te acompanha
E ensaio gramaticalmente o encontro com teu busto

Durmo sonhando com a dança dos corpos que um dia poderíamos ter
E as formas geométricas fazem parte dessa elaboração onírica
Mas não busco resolver equação matemática alguma
Pois, neste momento quase nirvânico, o somatório dois mais dois é impossível

Na frente do espelho, de chapéu côco, eu fumo meu cigarrinho
Enquanto te observo retirar o sutiã
Como num quadro de Vettriano

(rodrigo vaz)

sábado, 11 de setembro de 2010

Bons Meninos


Sentiam o mundo de um jeito diferente
Saudavam as rosas, os poetas e as moças que passavam
Enquanto bebiam vinho

Degustavam corações
Atiravam flechas musicais pelo caminho
Não seguiam cartilha alguma
Eram únicos

Deliciosamente bons meninos!

Na virada da torre

Chegou feito menina querendo doce
Estendeu a mão
E me lançou naquela dança

Diante daquela fumaça
A noite demonstrou que estava ainda mais faminta
Que além de doces, ela queria travessuras

Persistiu a madrugada
Que cortejada por muitos
Preferiu a mim como súdito real

Em poucos instantes a manhã será anunciada
Um longo tapete de raios solares invadem meu mundo Real
É 11 de setembro de 2010... Aplaudam!

Hoje é aniversário das torres gêmeas...

(rodrigo vaz)

domingo, 5 de setembro de 2010

DMT


Os circuitos entram em erupção
Vulcanicamente
As lavas ferventes sucumbem a experiência de viver
Outra intensidade

Pareço não sentir meus pés
As mãos tocam nas paredes do túnel pelo qual entrei
São vários os afluentes
Inúmeras cores me dizem onde não estou
Onde não sou

Ao dobrar a esquina
Percebo que já estive lá
Ou apenas foi um sonho

A viagem continua
O verbo insiste em me avisar

Parado no meio-fio desta passarela
Uma luz incide sob meu rosto
Penso que sou um segundo sol
Demasiadamente Munido de Transversais

(rodrigo vaz)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lampejo de brisa

Acordou que nem flor de laranjeira
Exalava o perfume mais cálido e calmante
Meu bem, de você eu fazia um chá!

Acordou como Sol
Rainha-mãe me esclarecendo o horizonte
Por você eu virava mar

Acordou ainda maiS Ativa
Cheirava a erva proibida
Na cantina pediu: caldo de cana e um bis

(rodrigo vaz)

sábado, 21 de agosto de 2010

Olha como ela samba!

Envolve teu corpo no meu
Cola teu rosto e escorrega teus pés no salão
Segura minha mão e me leva pra ciranda
De maluco...

Controla os rituais
Acalma os espíritos inquietos
E nas rodas acompanha nossas falas, translúcida
De boa...


Sente o vapor da madrugada
E o anúncio de que o Sol já vai surgir
O dia sempre acorda com uma noite na cabeça
Com certeza...


(rodrigo vaz)