quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Recato?

Então, Madame Beauvoir gritou:
- Libertino! Libertino!
E o Lord Sade delicadamente respondeu:
- Sim, sou mesmo! E dai?

(Rodrigo Vaz)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ilegal

Na coxia, o ar está agradável, escuto sons, uma brisa leve que nem seda passa por mim, incendeia meus olhos e dilata minha pupila.
Puxo, sugo com calma a minúscula poeira cósmica que permeia o mastro colossal dessa tranqüilidade, depois solto e o restinho da poeira se dissolve no ar e me coloca com que de forma mágica em contato direto com o mundo, em si, como se eu fosse ele próprio e não parte dele.
Umas gotas de sorriso escorrem por ai. Tudo é tão lindo! Os pequenos abcessos que sobram são guardados para uma próxima viagem. Que venha logo!

(RoDriGO vaZ)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

E quem foi que disse mesmo?

Falaram que a moça da esquina trepou com o cara da padaria
Falaram que o cara da padaria é um espião russo querendo descobrir o meu segredo
Afirmaram que eu guardo um segredo.

Falaram que a senhora gorducha do quinto andar era traficante e morreu de overdose
Falaram que o neto dela foi para um abrigo de menores
Afirmaram que tudo poderia ter sido pior.

Falaram que o Complexo de Édipo do tal Fulano não foi superado
Falaram que a função paterna não foi simbolizada
Afirmaram que ele é sempre gozado.


(RoDRigo VaZ)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Frívolo

Hoje eu acordei com uns calafrios
Sentia uma vontade imensa de degolá-la
Sufocá-la com meu travesseiro
Suzane-camente

Hoje eu acordei com uns calafrios
Ansiava, incontrolável, jogá-la do terceiro andar
Para assim vê-la cair
Nardoni-camente

Hoje eu acordei com uns calafrios
Deseja tripudiar diante de sua condição infame
Cuspir na tua cara, queimá-la dormindo numa praça
Capitalismamente

Até que uma voz grita:
- Cale-se, frio!

(ROdriGO vaZ)

Tato

O toque
O simples, leve e solto toque
Serpential

O toque das mãos
O toque dos lábios
Na quente boca suave de paixão
Na fruta suculenta
Serpential

Acaricie, apalpe, sinta
Toque devagar
Não me toque!

TOC, TOC, TOC


(rODriGO VAz)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Assim falou...

Se A=B e B=C, logo A=C. É o silogismo que me persegue hoje. "Hoje eu não faço chuva, nem faço sol" - já me dizia um certo espelho abstrato. Estou meio úmido e meio árido, a Geografia explica ou será Freud? O clima flutua entre 29 e 33 graus, logo a minha condição está explicada. Se clima confuso é igual a cérebro confuso e cérebro confuso é igual a subjetividade anárquica à flor da pele, logo clima confuso provoca subjetividade anárquica à flor da pele. Está explicado! A Natureza, as mudanças climáticas são culpadas pelas pessoas nas ruas, belas, loucas, esvoaçadas, expirando ânsia (de vômito?) Hoje eu nem brilho nem estou apagado, os tons variam entre o cinza e o cinza-claro, branncos não são, tampouco pretos. Olho pela janela e me vem à mente o terceiro excluído. Se eu sou eu mesmo, logo eu não sou uma nuvem...
Se A=A, logo não existe A diferente de A. É o terceiro excluído que me persegue hoje...


(Rodrigo Vaz)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Solução

Inércia
Um pedaço de concreto
Uma faca amolada

Tristeza
Um sorriso de criança
Um beijo, um abraço

Rancor
O tilintar do arco-íris
O sol, o porvir

Desespero
A flor, o beija-flor
O urso e o bicho-preguiça

Pressa
A lagarta, a borboleta
O tempo e o vento

Angústia
Beijos, amigos
Mente X coração

Solidão
Esperança, tranco...
O portão da ventania

Choro
Mar, atrito
Um vão no infinito

(Rodrigo Vaz)