quinta-feira, 24 de março de 2011

Pensando na chuva ou Do outro lado da janela da sala


Será que quando chove é porque as nuvens choram ou será que estão fazendo pipi na gente? Ou melhor, será que chuva é suor de nuvem?

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segunda-feira, 14 de março de 2011

Depois que a panela ferve


Levantei-me imponente e falei pra mim mesmo: "Serei um novo homem!" Por instantes, pensei em como realizaria tal mudança. Seria preciso um cerimonial? Ou, quem sabe, um funeral? Não, não! Ia haver muito chororô, disse-me-disse, e pessoas interessantes apenas nos comes e bebes. Decidi que deveria ser de modo simples e natural como uma nuvem cinza após um dia de calor. Fui ao asfalto e evaporei. Dias depois, voltei em gota.

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domingo, 13 de março de 2011

Ele&Ela


Ele

coração imprevisto
caído no chão
aos pedaços

Ela

o cão faminto
cercando
os estilhaços
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quinta-feira, 3 de março de 2011

Pontos nevrálgicos


Sou aquela tua contusão no pé esquerdo. Aquela dor de cabeça após inúmeras taças de vinho. Aquele peso nas costas implorando um pouco de atenção. Sou aquelas mãos tremendo de medo. Aquela boca roçando saliva. Sou o tímido beijo no rosto à espera de um quero mais. Sou o milagre de tua chegada. E o coração batendo em silêncio. Sou as cinzas da "bituca" esquecida no chão.

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Curriculum Vitae


Poeta é menino travesso, esperando o vizinho sair para roubar manga no quintal. Poeta espera o Sol se despedir para roubar das estrelas um verso para a noite. Os poetas esqueceram de crescer. Na verdade, eles cresceram, mas de trás para frente, de cima para baixo, da cozinha para a sala, tudo pelo avesso. Os poetas andam na contramão do destino. Quem buscar sentido no que eles fazem, não vai encontrar. Poetas gostam de se perderem, e quanto mais corda lhes derem, mas eles vão exercitar seus malabarismos. Poetas adoram uma corda bamba, uma cadeira quebrada, um pôr-do-Sol na estrada. Enfim, essas coisas em desuso.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Je ne comprends pas

Sou um paradoxo. Habitam em mim todas as contradições do humano. Sensível, frio e calculista. Poeta e psicólogo. Estou condenado a exercer escolhas influenciadas por meus desejos. Não tive escolha. Me sinto intenso quando me aproximo do gozo da minha mais tola fantasia, mas basta o mínimo impasse para que o meu complexo de "meleca universal" tome as rédeas das minhas tentativas de encontrar um caminho. Dogmatizo a enigmática idéia de descobrir a mim mesmo. Rogo que uma cigana jogue cartas para mim e me diga um destino bom, pois fujo dos problemas. Me tranco no banheiro e choro escondido. Sozinho. Estar sozinho é quando o universo se cala para nos escutar. Quando é manhã, ponho uma fantasia e saio as ruas. Risco o chão com as gotas do choro anterior. São o meu orvalho. Flor taciturna numa tarde enevoada. Cacto desejando alimentar algum animal. Por fim, penso estar numa MATRIX. Minto. Acordei cedo hoje.

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

E se desse tempo da roupa secar...


No meu varal estão postos gravetos
São finos e dotados de um solipsismo triunfal

Em noites de inverno
Quando a Lua me devora o Édipo
A chuva molha as gotas de silêncio
Produzindo estalos na bigorna dos transeuntes
Quando é primavera, acompanho o desabrochar das sibipirunas
Amarelas como os reflexos de Sol que entram sem permissão

Recebo visitas
Duendes e violetas cortejam o meu jardim
Comem do meu suor e bebem do meu silêncio
Partem alguns instantes antes da carruagem chegar
Por vezes, esquecem alguns sapatinhos
Noutras, me deixam com a cara da abóbora

Há coisas e pessoas que nos rasgam, sem piedade

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